Você faz a sua parte?

Você pode achar que violência é uma coisa assim que está na rua, que é coisa de marginal, de ladrão, dessa gente da periferia, dá tiro um no outro, gente que mata, estupra, mas não é uma coisa que faz parte do seu meio social.

Você é uma pessoa educada, se envolve só com gente de bem, bem nascida. Não existe violência entre as pessoas que você convive.

Às vezes rola uma briga no bar – as pessoas bebem né, acontece, brigam ali, se ameaçam, mas isso não quer dizer nada, as pessoas compram cerveja entre si e está tudo certo. Elas estavam alteradas. Tudo bem.

Tem aquele seu amigo também que tá sempre brigando com a namorada. Tira sarro dela em público, grita com ela, mas ela parece não estar nem aí. Se ela mesma não fala nada, porque eu vou falar?

Tem uns dias que você desconfia que ele bate nela, mas sabe, ela também deveria saber se defender, e afinal, como você vai saber se ela não provocou?

Você contribui com a violência?

Você valida a violência contra a mulher – contra qualquer pessoa - a cada momento que você percebe os sinais e não se manifesta contra ela.

A cada vez que você percebe um desrespeito – quando alguém chama uma pessoa de vadia, de puta, de piranha, e você não manifesta para o desrespeitador que este comportamento é inaceitável.

Qualquer que seja o motivo. Agredir verbalmente não é aceitável. Agredir fisicamente não é aceitável. Qualquer que seja o contexto. 

A cada vez que você tenta abafar uma agressão (“deixa disso”, “já passou”, “não foi nada”) em vez de se posicionar contra ela (“não gostei”, “está errado”, “não aceito”). Isso comunica ao agressor que o comportamento não tem consequências e pode ser repetido. E a responsabilidade por comunicar ao agressor é de toda a sociedade.

A cada vez que você busca justificativas para a violência que a validem – “Ele estava bêbado”, “Ela pediu”, “Ela não reagiu”, “Ela provocou”, “Ela me traiu, me enganou, foi uma vadia”. Isso dá a entender que a violência é aceitável sob determinadas condições e pode ser absolvida, permitindo que ela se repita outras vezes.

A cada vez que você escuta uma ameaça velada e não se manifesta contra ela. “Você vai ver”. “Se prepare”. “Você não sabe com quem está falando”. “Você está me provocando, depois não reclame”. Ameaçar não é aceitável. Ameaçar é crime. E as ameaças veladas são a arma do covarde para se esquivar da responsabilidade. Falando em violência de gênero, a vantagem física que um homem tende a ter sobre uma mulher é em si um fator intimidante.

Como você pára de contribuir com a violência? Se posicionando, falando. Não é brigar de volta, não é xingar. É comunicar. Avisar que está errado, que não gostou do comportamento. É denunciar, se necessário for. Discussão não é briga. Justiça não é vingança. Cultivar a paz não significa ser passivo.

Este post foi inspirado em um homem, que sinto profundamente dizer que faz parte do circulo de amigos dos meus amigos.

 

novembro 25, 2011 at 10:53 pm 5 comentários

Em construção

Parte 1

amizade. confiança. suporte. carinho. muito carinho. ouvidos. olhos grandes. abraços. estabilidade. persistência.  sabedoria. tranquilidade. alto astral.  energia. entrega. colo. silêncio.  compreensão. simplicidade. clareza. cuidado.

Parte 2

fascínio. encantamento. carinho. muito carinho. química.  paixão. delicadeza. introspecção. inteligência. visão. fé. romantismo. abertura. transparência. liberdade. criatividade. coragem. tempestade. amanhecer. sorrisos. sonhos.

Parte 3

intuição. fé. confiança. intimidade. proteção. limite. cuidado. justiça. carinho. muito carinho. paciência. arte. auto-consciência. auto-crítica. respeito. verdade. ouvidos. flexibilidade. muita coragem. vontade de aprender.

amor.

abril 29, 2011 at 3:52 am 1 comentário

Madalena

Vieste calado,

Sorriso discreto,

Olhares de lado;

Não te percebo

Nem te decifro,

Mas não me devoras.

Pelo contrário:

Me deste um forte abraço,

um beijo no rosto

e um amor sem motivo,

Sem pressa, sem posse

E sem interesse de tornar-se meu.

.

É que tua santidade pertence ao mundo

.

E me dá nostalgia de um futuro

somente nosso, que nunca ocorreu.

março 4, 2011 at 2:43 am Deixe um comentário

Via Láctea

Ser de lama, de sangue e de estrelas

Estar desnuda na imensidão

Ouvir o teu canto em silêncio

Fazer de meu peito oferenda

De minhas lágrimas libação;

Ao leite e mel derramados

No manto negro e profundo

Me veste em mistério sereno

Me abriga da solidão

fevereiro 2, 2011 at 2:40 am Deixe um comentário

Gratidão

És diamante, sólido e claro

Te quero preservar mas te sei invulnerável

Tua presença tem valor e força ígneos

Estampados no céu estrelado

Que o fogo de tua alma limpe a tela dos teus olhos azuis

que me inspiram gratidão e saudade.

janeiro 27, 2011 at 2:04 am Deixe um comentário

Espejo imperfecto

Te quiero con sonrisa y silencio

Con solemnidad, distancia y esmero

Te quiero casi como si te conociera

Como si eso tu lo necesitaras

Tu que eres solido y entero

De ojos negros de piedra volcanica

Sin embargo transparentes

Yo por otro lado soy opaca

Y te veo por mis complejos reflejos

Mis ojos son color estiércol

Donde nacen hongos sicodélicos

Azules color del cielo

Y te veo por quien no eres

Azul que sobre ti ensueño

Visión que me inspira honor

janeiro 26, 2011 at 2:24 am Deixe um comentário

Pés

Raizes que se movem

Para construir uma ponte

Entre os giros do mundo

e as voltas do homem

.

Pedra mãe da postura elevada

Que dá o leite à majestade

No seio do possível

Dando à luz à próxima jornada

.

As âncoras do errante

E as asas da semente

Avós de todas as trilhas

E a voz do caminho adiante

janeiro 25, 2011 at 3:08 am Deixe um comentário

De sangue e de sonhos

Abrir os braços pra vida

e alçar um voo aterrado;

Mergulhar no fundo do céu estrelado

E ver o invisível.

Pensar o impensável e dizer o indizível

Traduzir o intraduzível

E cantar o incantável.

Tocar com a pena o papel

e encantar o intocável.

Caminhar com zelo e coragem.

Existir com o mundo, para logo não mais.

janeiro 8, 2011 at 3:37 am Deixe um comentário

El coliseo

Me tiraron a los leones

Porque era una presa fácil

Me tiraron a los leones

Porque era una cualquiera.

Me tiraron a los leones

Por inercia de hacerlo

Me tiraron a los leones

Simplemente por pasatiempo

.

Me tiré a los leones

Por deber y inseguridad

Me tiré a los leones

Porque ya estaba mismo rota

Me tiré a los leones

Para descubrir de qué estoy hecha

Me tiré a los leones

Sin convicción ni miedo.

.

Y me comeron los dós brazos

Me comeron las dós piernas

Pero no me sacaron el corazón que me mueve

Pues me volví una de ellos.

setembro 20, 2010 at 1:39 am 1 comentário

Tornar-se mulher

São todas as tardes sem sol, o convívio com as mesmas músicas.

São as coreografias esculpidas no corpo, por dentro, com calma.

É deixar a alma permanecer grávida, nutrindo sementes de ideias.

É deixar a dor se remexer devagarinho, embalada ao ritmo dos dias.

É deixar o amor criar raízes nas entranhas do cotidiano.

E depois, abrir-se como uma romã preguiçosa e madura

Para o desfrute sedento e apaixonado da vida.

http://www.flickr.com/photos/whatnourishes/188997281/#/photos/whatnourishes/188997281/lightbox/

setembro 5, 2010 at 5:42 pm Deixe um comentário

Posts mais Antigos


links no delicious

Arquivos

Categorias

@twitter


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.