Você faz a sua parte?

novembro 25, 2011 at 10:53 pm 5 comentários

Você pode achar que violência é uma coisa assim que está na rua, que é coisa de marginal, de ladrão, dessa gente da periferia, dá tiro um no outro, gente que mata, estupra, mas não é uma coisa que faz parte do seu meio social.

Você é uma pessoa educada, se envolve só com gente de bem, bem nascida. Não existe violência entre as pessoas que você convive.

Às vezes rola uma briga no bar – as pessoas bebem né, acontece, brigam ali, se ameaçam, mas isso não quer dizer nada, as pessoas compram cerveja entre si e está tudo certo. Elas estavam alteradas. Tudo bem.

Tem aquele seu amigo também que tá sempre brigando com a namorada. Tira sarro dela em público, grita com ela, mas ela parece não estar nem aí. Se ela mesma não fala nada, porque eu vou falar?

Tem uns dias que você desconfia que ele bate nela, mas sabe, ela também deveria saber se defender, e afinal, como você vai saber se ela não provocou?

Você contribui com a violência?

Você valida a violência contra a mulher – contra qualquer pessoa - a cada momento que você percebe os sinais e não se manifesta contra ela.

A cada vez que você percebe um desrespeito – quando alguém chama uma pessoa de vadia, de puta, de piranha, e você não manifesta para o desrespeitador que este comportamento é inaceitável.

Qualquer que seja o motivo. Agredir verbalmente não é aceitável. Agredir fisicamente não é aceitável. Qualquer que seja o contexto. 

A cada vez que você tenta abafar uma agressão (“deixa disso”, “já passou”, “não foi nada”) em vez de se posicionar contra ela (“não gostei”, “está errado”, “não aceito”). Isso comunica ao agressor que o comportamento não tem consequências e pode ser repetido. E a responsabilidade por comunicar ao agressor é de toda a sociedade.

A cada vez que você busca justificativas para a violência que a validem – “Ele estava bêbado”, “Ela pediu”, “Ela não reagiu”, “Ela provocou”, “Ela me traiu, me enganou, foi uma vadia”. Isso dá a entender que a violência é aceitável sob determinadas condições e pode ser absolvida, permitindo que ela se repita outras vezes.

A cada vez que você escuta uma ameaça velada e não se manifesta contra ela. “Você vai ver”. “Se prepare”. “Você não sabe com quem está falando”. “Você está me provocando, depois não reclame”. Ameaçar não é aceitável. Ameaçar é crime. E as ameaças veladas são a arma do covarde para se esquivar da responsabilidade. Falando em violência de gênero, a vantagem física que um homem tende a ter sobre uma mulher é em si um fator intimidante.

Como você pára de contribuir com a violência? Se posicionando, falando. Não é brigar de volta, não é xingar. É comunicar. Avisar que está errado, que não gostou do comportamento. É denunciar, se necessário for. Discussão não é briga. Justiça não é vingança. Cultivar a paz não significa ser passivo.

Este post foi inspirado em um homem, que sinto profundamente dizer que faz parte do circulo de amigos dos meus amigos.

 

Entry filed under: Uncategorized. Tags: .

Em construção

5 Comentários Add your own

  • [...] Você faz a sua parte – Tarsila [...]

    Responder
  • 2. Bruno Giorgi  |  novembro 27, 2011 às 3:09 am

    Em boa hora.

    Responder
  • 4. Letícia Massula  |  novembro 28, 2011 às 1:42 pm

    É isso aí, Tarsila! Não ser indiferente faz toda a diferença para acabar com a violência contra as mulheres.

    Responder
  • 5. Tom  |  novembro 28, 2011 às 7:41 pm

    Oi, Ta.

    Gostei muito do seu texto e espero que possa inspirar outras pessoas a tomarem uma atitude quando virem situações como as que descreveu. Às vezes são até mesmo desconhecidos que estão passando por esses dificuldades e tendemos a falar para nós mesmos “isso não é problema meu.” Mas quando precisamos de ajuda e estamos sozinhos, não é reconfortante quando alguém aparece para ajudar? Então se lembrarmos que estamos todos vivendo mais conectados do que imaginamos, pensando tudo isso de uma maneira mais global, talvez perceberemos, caso tenhamos força e presença de espírito (às vezes tentamos ajudar, mas mais atrapalhamos), que é bom intervirmos ao ver alguma injustiça com alguém.

    O duro é estarmos entre amigos ou pessoas próximas e não encontrarmos essa ajuda, pois sentiremos uma solidão até mesmo entre aqueles que acreditamos estar próximos.

    Abraços,

    Tom

    Responder

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Enviar trackback para este post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


links no delicious

Arquivos

Categorias

@twitter


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.