Medellín, 8 março

_um rio é um choro contínuo que sulca a carne da terra, que nutre bacias; um choro que funda um caminho, um horizonte :: cavaste en mis lomas um río

vigília

ave migratoria a la inagotable arena jadean lejanías _ ave migratória à inesgotável areia arfam lonjuras

Hurricane

É belo ver o estrago Rodopiando em chamas A cara do sofrimento Tem sorriso na selfie A miséria faz contar As moedas pelo avesso É duro contar o estrago A terra já sem pulso Rodopiando em chamas Sorrindo pelo avesso

Cartógrafo

Inventar uma constelação requer Um movimento muito preciso: Há que se quitar toda a força É preciso desquerer. Compassar o próprio ar, Suspiro e sopro num único golpe Para que surja, num clarão Horizonte dos teus olhos verdes – Trópicos para além do alcance Uma fotografia invisível O mapa para as tuas ilhas futuras

estranhos

o silêncio atravessado de lado uma barra de ferro no peito estamos, ali de frente para o precipício que é o cruzamento das vidas melhores que a nossa. intimidade é uma flor roxa que dura apenas um dia no deserto intimidade, mon cher é mostrar a cor das entranhas é quando você consegue esvaziar por…

mother tongue

let me savor your savoir so I guess what it takes to make a womanness of my own

Soleá

Pulsar o peito fora do compasso Bater o taco, o palco já disperso A nota ardente sobre o chão inerte A nota inerte sobre o ouvido atento Colher a fruta cujo tempo finda É pungente a laranja de Sevilha  

those who wait

an ageless mountain a river quietly sleeps carving its way through

solstício

buenos aires de 8 grados el rocío me ahoga y un perro me lame las entrepiernas un espejismo me asoma; huyo para tus hombros la noche más escuálida del año con la soledad de los naguales que suponemos una en la otra una tontería me asoma; fiebre de los seres urbanos dormidas en nuestro cabello…

pequena

minha pequena dispersa em mil partes espremida no vão do relógio te quero assim escassa

Caixa de Melissa

Colher o mel e os ferrões Os abdomens entregues Ao enxame dos anseios

the materiality of who I am

os sulcos cravados nas bacias pelas águas memória dos desertos gravada em dunas sólidas é duro tudo o que morre, tudo o que morre. camadas de vidas postas uma sobre a outra rasgadas pelo meio num susto como folhas é ralo tudo o que morre, tudo o que morre. pedrinhas-mosaicos coloridas pelo tempo rolam o…