Cartas

em

Alguns ensaios de cartas depois de meses sem escrever.

Carta a um amor platônico.

Quando te conheci, enxerguei além de você. Enxerguei a possibilidade de viver um sonho meu. De fechar um buraco na alma, de sentir-me amada. Uma possibilidade de me sentir única contigo.

Foi assim que foi comigo. E você entrou no jogo também. Porque não era bom só pra mim, essa história de te desejar. Era bom pra você – sentir que alguém te queria, apesar de você ser como você é.

Mas não que eu visse como você é. Eu amava a idéia de te ter só pra mim. Amava a idéia de ti. Amava a fuga de ti. Amo me fazer necessária a ti.

E um dia o amor platônico amadureceu, e virou amizade – você passou a confiar, a se abrir. Você passou a me ver. E eu passei a não saber mais onde enfiar a minha cara.

Você me magoou por ter uma vida própria. Eras um sonho recorrente e bom, que me constrangeu ao raiar do dia.

Carta a um amigo distante.

És o destino de uma ponte necessária, e me faltam ferragens para chegar a ti.

És o outro, a quem temo e a quem não alcanço; és uma parte de mim que pouco conheço.

Me sinto aflita por não poder exercitar nossa amizade, na ponta do toque do dia a dia. Me angustio por não saber-te amigo de volta. Me esforço pra oferecer-te um colo de que não precisas.

Me sinto alegre que, de vez em quando, você pára e me olha – e aí temos as nossas conversas longas, os nossos choros, as nossas risadas; e aí todo o esforço se justifica.

Você quase me magoa por ter uma vida própria. Mas é essa vida tão própria tua que me fascina.

Carta a um amor tranqüilo.

É difícil acreditar num amor tranqüilo. Num amor bom. Num amor estável.

É difícil agradecer por um bem que é, em vez de reclamar por um bem que se deseja.

É mais fácil fugir, correr rumo ao velho conflito conhecido das histórias.

Mas um dia a gente volta à realidade. Um dia a gente acorda, e o sol só nos inspira a agradecer.

Você me vê no mundo da lua, e me chama de volta pro sol. E você só me inspira a agradecer.

Eu volto, e você deixa; abre os braços e me convida a deitar contigo.

Obrigada.

Carta a um bebê

Oi bebê. Você é tão pequeno.

Hoje te vi fazer cocô. Era um cocô preto. Vou te contar isso quando você tiver uns 15 anos e você vai morrer de vergonha.

Vou te contar que eu te amo antes que você cresça e o mundo se torne mais chato.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Coisa mais linda… quanta delicadeza!

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