Perla

em

Eu vi hoje uma figura que poderia ser uma personagem de dramalhão mexicano: auto-abandonada no chão, no canto da praça benedito calixto, bicicleta propositadamente atirada ao lado. chorava lágrimas de novela, o vento nos cachos e as gotas gordas imploravam por atenção. olhava para os lados. olhava para longe. celular nas mãos, certamente tateava o teclado em busca de uma esperança. um romance raso, ou melhor, um romance inocente, porque romances adolescentes são sempre repletos de uma inquebrantável verdade, ainda que apenas sustentada pela coerência interna de um coração sem calos. resta saber se todo esse amor abundante vai atravessar as muralhas das circunstâncias sem abaixar os olhos e resignar-se aos confortos da distância polida.

escrevo essa personagem num ato de amor: para abraçar demoradamente a sua invisibilidade no aconchego do meu pensamento. o amor é sustentado por abraços, ainda que imaginários.

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