Os corvos

em

Na cabeça não passava
tempo. o nevoeiro era a cidade,
era remota, o acordeon
quebrava o gelo, ao longe
a neve que pinica o nariz.

O nome dessa cidade é nostalgia
diziam elas, as vozes
que dançam, o acordeon
é memória. As lanternas
amarelas são quase o sol.

(não existe guerra, turista.
existe só paz e silêncio).

Que é memória, calor
inventado: banho quente,
rakija com mel
de verão, febre.

me cubra de histórias,
daí de longe, s’il vous plait.

saudade é uma palavra portuguesa,
sabia?

(dentro da menina, ela ainda dança)

Amanhã verão uvas, as flores.
Menina virgem no balanço.
Amanhã haverão fanfarras,
mosquitos. excessos.

Enquanto isso, os corvos prendem
o relógio, às 3.33
e a ânsia entre
os tijolos dos dias.

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