Tombo do Navio

– Um dia secarei; disse

a sereia, antes que eu me atirasse

sobre seu pescoço. Mal ouvi;

suas coxas eram escamas, ao contrário

do afeto que transbordava de seu colo,

ou de suas lágrimas redondas.

Nunca conheci criatura tão absurda,

pensei. Portanto me apaixonei

como mágica incandescente.

mas passará, farei passar, com a maré.

O que busca uma sereia? Não sei,

não procurei saber.

Eu busco coxas quentes e macias,

E um vazio úmido, por onde eu possa

mergulhar minhas mágoas.

Pescador experiente,

descarto sem hesitar

os peixes que não me sirvam:

Quero putas ou atuns.

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