Exílio

em

Montei no primeiro burro que passou, que correu feito mangalarga até os confins dos dias, onde talvez eu começasse a me sentir segura.

A tua lembrança onipresente, contudo, também estava ali: como big brother, oprimindo meus banhos e inibindo as minhas leituras. Mas não precisava de livros:

O mundo dentro dos meus dramas já basta. E sabe, até que é belo:

A poesia de coração entreaberto (ou semi-rasgado) que nasce de uma tortura legítima.

Não a melancolia fingidora do poeta que deveras sente. Não a apatia intelectualizada, nem a histeria coletiva.

Olho para o penhasco. Já não vejo o fundo. E hoje ele diz muito menos sobre mim do que eu posso dizer dele.

“Eu já estive lá!”, eu poderia dizer; poderia ter trazido uma camiseta de turista de lá, com uma foto do fundo do poço. Mas agora já não vejo o fundo, nem sinto saudades; vejo sim meus pés, e uma porção bem cheia de imagens desconexas.

Só o mundo dentro dos meus sonhos já basta. E, sabe, até que é belo.

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