Religio – v.2

Sobre o mangue eu construo meu castelo,

E não sobre a pedra. Minhas raízes não se firmam em rochas.

Se firmam na lama. Sou lótus, floresço a partir do caldeirão escuro,

Da memória dos corpos dos meus antepassados. Sou presente,

Testemunha ocular – e tátil – das marés do tempo. Meus votos

São as correntes das minhas paixões. Meus dogmas

São as vozes nos ventos. Sopro as minhas próprias profecias

Sobre o imenso tabuleiro de possibilidades: Às vezes ganho,

Às vezes perco. Mas nunca empato. Minha igreja

Está posta a céu aberto, até a linha do horizonte. Vou vestida de céu,

A casar-me comigo mesma. Prometo, para todo sempre

Criar os meus próprios cantos, transgredir as minhas próprias promessas,

Prometo seguir inventando os meus próprios mapas

Até que a morte me convide para outros caminhos.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Mercia S. Mercer disse:

    Muito interessante e profundo.

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