iemanjá

eu amei, muito nova, a água:
fazia as vezes de útero
mas sem paredes. era o refúgio
onde eu era vida –  era o esquecimento
da ditadura do eu, organizado –
segundo os outros. eu era som
(talvez minha primeira paixão):
capaz de escutar minhas pulsações
e assim, sorria um sorriso líquido.
Eu me trancafiava e descia metros abaixo
a metros da praia a metros das métricas
fazia um casulo lá no fundo
e conseguia rezar.
Na água eu não ouvia os gritos
– gritos não sabem nadar.
e os peixes, curiosos, me espiavam pelas frestas.

uma criança que (é) nada desde pequena
torna-se capaz de salvar a própria vida.

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