Sobre flores que não são de plástico

Me preparei para que você me amasse.
Trouxe pães e suco, passeei o cachorro
escovei cem vezes os cabelos.
Me perfumei com jasmim, dama da noite
Lavei toda a roupa, toda a louça, todos os cantos
todo o telhado, todo o quintal, toda a calçada.
e por fim me limpei por completo, desnudei
todos os rastros e restos do passado
papel por papel, pasta por pasta,
roupa por roupa, peça por peça.
E sentei no sofá da sala.

E você não veio.
E nem virá, para esta casa que não é mais nossa.
Para o portão, o sofá, a cozinha, a cama
para a praça, a padaria, para o bairro
a cidade e o país que não são mais nossos.
Não somos mais nossos. E ainda assim

Sentei. Permaneci sentada
No sofá que é meu, e tomei chá. E esperei,
como que sem esperar. E agora tenho discos
que não são do buena vista, não são do caetano
não são nem de jazz, muito menos de cazuza.
Tenho discos que cantam sobre sonhos.
E tenho livros que são sobre psicanálise.

E tenho flores que, veja só, foram suas, lindas:

Agora são minhas.

Porque o amor imenso que eu perdi
na verdade nunca perdi, porque era meu.

E o meu amor que é meu nunca mais vai me dizer não.

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