Estruturas que deslizam

Nós que nascemos profundo manguezal

seremos um dia margem sólida

por onde o rio possa correr tranquilo?

 

Nós que somos areia translúcida e fina

que se dissolve na primeira cheia

seremos um dia leito estável e cheio de vida?

 

Nós que somos turbulenta

matéria prima

de delirante poesia

seremos um dia substância

para construção de histórias reais?

 

Seremos um dia capazes

de ser suporte e base de sentido

pro amor poder dar frutos?

 

Sigamos sendo apenas, meu caro,

o que sabemos ser:

esse impulso repentino de vida.

 

Até que, quem sabe, por acaso

tropecemos em nossa própria coerência.

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