Sobre a nudez

A nudez é necessária.
Tirar tudo o que é acessório
Despir tudo o que for gravata
Desamarrar espartilhos
Encarar o frio. Mostrar os dedos
eriçar os pelos, descobrir-se
das camadas de conforto.
É necessário mostrar mamilos,
as tetas, relaxar a pança, soltar-se
dos elásticos, dos botões
dos zíperes, tirar para fora.
É preciso abrir, desabrochar
as gargantas, os braços, as pernas,
os músculos, os órgãos, as bolsas,
pulmões, estômagos, corações,
úteros, próstatas, cus, cérebros, nervos,
sentidos, ainda que doa um pouquinho.
O corpo e o outro são o que nos resta:
o pequeno big-bang que nos é viável
dentro das paredes deste finito.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Quã disse:

    Bah, e como fugir à nudez?
    Vista-se e ela ainda está lá
    Mutile-se e ela se renova
    Por debaixo o corpo nú
    Até ao partimos vai pra cova
    Então… pra que esconder o inescapável?

    1. wintersteele disse:

      adorei!!! que feliz, bom ver vc reaparecer!! 😀

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