A janela

– janelas são promessas.
disse, olhando o nada
– de defenestrar?
– não, de poder correr
– de correr da casa?
– de correr pra vida!
existe vida aqui. não disse.

– gosto de ter essa promessa aí.
– também gosto.
– mas pra correr, tem a porta
– e qual a graça?
a graça é sair soberana, e não fugida.
(a graça é sair fugido, não soberano?)
não disseram.

da porta pode-se ter a chave.
da janela, nem sempre.

onde está a graça, afinal?

– olha a lua! está cheia!
– está amarela! como quando…
quando não haviam janelas
e a promessa era gosto no ar
e o desgaste não tinha comido
a tinta do batente, ainda.

no desgaste também há beleza
para quem procura.

– vou dormir, adeus.
não se despede nunca com adeus,
não te ensinaram?

até breve

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