o ódio enquanto motor da escrita

sabe quando você se olha no espelho e vê um corpo que odeia? quando enxerga manchas e rugas e distorções na sua forma, sabe quando isso faz você odiar o espelho, o corpo, o padrão que te diz que aquele corpo não é desejável, a todos aqueles que já passaram por você e não te amaram, sabe quando você quebra o espelho? sabe quando você se rasga, se joga contra a parede, sabe quando você suspeita que você é só um corpo de carne que morre, e que não pode ter um pingo de transcendência e de perdão a essa mancha, a essa ruga, ao fato de não se sentir amável, de não ser uma fantasia, de ser de carne e osso?

não?

então.

sabe quando você se olha no espelho e vê um corpo que odeia? sabe quando você se dá conta de que é de carne e osso, e nao uma fantasia para que alguém te dê um pingo de transcendência, sabe quando você se dá conta de que você é um corpo de carne que morre, e que isso é uma verdade preciosa que nem se você se rasga, se joga contra a parede, quebra o espelho, você consegue se livrar, e não consegue porque não quer – afinal o testemunho de todos aqueles que passaram por você e não te amaram, do padrão que te diz que você não é desejável, as manchas, as rugas, as distorções na forma que você olha no espelho e vê e odeia não te deixam esquecer dessa verdade preciosa: esse ódio insuportável te ajuda a lembrar de que se trata de outra coisa.

de que não se trata de chegar na ilha perdida, se trata de respirar horizontes.

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