dieta de astronauta

comerei um enlatado pro jantar.
deitarei sobre plástico-bolhas
estupefatas.
hoje tive 15 horas brancas
e um punhado de nozes.
ouvirei um áudio de meditação
baixarei um conhecimento atípico
cheirarei flores atópicas
descongelarei comidas anódinas,
pensarei utopias dietéticas
para emagrecer o passado
sou dessas

de todos os tons de cinza
hoje vesti cinza-tédio
como uma pele que habito
o susto suspenso é o melhor retrato
coração na boca, fingido. fabrico
o tecido de nossas histórias
– sou dessas, histéricas
convenhamos: esta caixa,
a que nunca abro, é só alfarrábio
das impossibilidades vividas.
uma bolha de estupefação. sonho
póstumo, péssimo
todo o repertório que tenho.

meia dúzia de palavreados
com o qual marcar a via. o leite
do teu gozo foi derramado.
olhamos em silêncio:
já sem lágrimas.
cansada, ainda arranco de vez em quando
umas rezas da manga.
uma velas estrelinhas.
rio.

 

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