salto quântico

e então se abrirá uma fenda na história trágica dos homens, essa história de guerras em que amar é, por um lado, inviável diante de um mercado de vantagens, e por outro, avassalador diante da falta de nomes possíveis.

se abrirá essa fenda na forma de uma flor de mato, uma flor minúscula e amarela, que nem deveria estar ali dentro da ordem cinza das coisas.

se abrirá na forma de um encontro, de uma coincidência esquisita, de um pequeno pedido, um delicado tropeço, uma queda para cima.

se abrirá essa fenda e será quase como se ela não tivesse se aberto, mantendo a ordem aparente das coisas, os trens mais ou menos no horário, os salários mais ou menos caindo.

e ela servirá de passagem para um outro lado do corredor do tempo, um lado onde recomeçar do zero será possível, onde a quantidade massiva de horas não esmagará a potência das narrativas do afeto, onde amar poderá ao mesmo tempo respeitar os obstáculos e independer deles.

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